14 de mai de 2010

Hoje - O teatro minimalista da Cia. do Feijão aborda a formação da identidade brasileira

'Nonada' reúne adaptações entrelaçadas de contos de autores como Machado de Assis e Clarice Lispector

A Cia. do Feijão volta à Ourinhos com o espetáculo Nonada, montagem que conta como o dono de um estranho circo conduz um desmemoriado à descoberta de sua trágica origem. A revelação surge através de encontros com personagens de Machado de Assis, Mário de Andrade e Clarice Lispector. Concebido a partir das memórias destes personagens brasileiros, o espetáculo põe em cena o conflito fundamental do país, o processo de modernização conservadora que gerou sua difusa identidade. A apresentação é nesta sexta-feira (14) no Teatro Municipal Miguel Cury.

Nonada é resultante da pesquisa Um lugar chamado Brasil, contemplada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A partir das metodologias básicas da Companhia do Feijão para o treinamento do ator e a composição do espetáculo, foram realizados estudos cênicos de obras e autores literários representativos de quatro períodos históricos brasileiros. Como resultado final, Nonada reúne adaptações entrelaçadas dos contos Pai contra Mãe (Machado de Assis), Túmulo, Túmulo, Túmulo (Mário de Andrade), e O Grande Passeio e A Bela e a Fera (Clarice Lispector), além de uma livre apropriação do personagem Brás Cubas, também de Machado de Assis.

Vencedora dos prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), Shell e Flávio Rangel, a Companhia do Feijão prossegue as apresentações de Nonada com seu trabalho baseado na performance do ator e na utilização mínima, mas significativa, de objetos cênicos. Para que o espectador, enquanto testemunha, possa permitir que sua imaginação trabalhe junto com a dos atores e relativize esta experiência a partir de sua história de vida.

A escolha das obras literárias de cada período histórico teve como base a presença de personagens marcados pelo momento histórico em que viveram e pela dinâmica social então vigente. Durante estes estudos a Companhia buscou semelhanças e antagonismos presentes na condição de “ser brasileiro”, a partir do olhar de escritores que se mostraram bons observadores das realidades de suas épocas. A literatura é tomada pelo grupo como o principal meio de conhecimento da história do Brasil, como o órgão epistemológico por excelência da cultura brasileira.

A Companhia do Feijão, da Cooperativa Paulista de Teatro, é uma companhia teatral estável, estabelecida em São Paulo, Brasil, desde 1998. Tem como objetivo a pesquisa de linguagens cênicas baseadas no trabalho do ator/narrador e em processos de criação em equipe. Aborda temas relativos à realidade e ao homem brasileiro a partir de obras literárias, trabalho de campo e documentos históricos. Defende a inclusão cultural em todos os níveis e procura levar seu trabalho a públicos e lugares onde o teatro normalmente não chega.

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