23 de jun de 2009

Sérgio Nunes e a biblioteca pública

Por Marco Aurélio Gomes

Biblioteca pública nunca foi prioridade no Brasil. É como saúde e educação, todo mundo defende, mas o problema é sempre do outro. Dos 20 anos que trabalhei nesse diversificado universo da cultura, muitos foram dedicados à biblioteca pública. Já vi de tudo nesse período. Coisas que começaram e acabaram, desafios e pequenas conquistas.

Fiquei contente com a eleição da nova diretoria da AABiP. É isso mesmo, a Biblioteca Municipal Tristão de Athayde conta com uma associação de amigos, pessoas que dedicam um pouco do seu tempo a algo que consideram importante. Como aproximar as pessoas da leitura, despertando nelas o desejo por aquele algo mais que dá sentido à vida ou que nos mostra que ela realmente não tem sentido algum.

Lembrei do Sérgio Nunes, o diretor de teatro e multiartista que sabia como ninguém a importância de se investir na biblioteca pública. Nossas conversas nos botecos ou na própria biblioteca sempre giravam em torno dessa necessidade de colocá-la no centro de tudo. Era dalí, daquele espaço muitas vezes reduzido, mas que abrigava o mundo em suas estantes, que deveria germinar aquele desejo que citei há pouco.

Outro motivo de alegria foi a notícia de que existe a possibilidade de se construir um prédio próprio para a Biblioteca Municipal Tristão de Athayde, no terreno em frente o Centro Cultural Tom Jobim. Acho até que cidades que constroem bibliotecas públicas deveriam obter privilégios fiscais e convênios de todos os tipos.

Já que falei do Sérgio, gostaria de lembrar também todos aqueles que compartilharam suas oficinas, ensaios, espetáculos, exposições, que ele levantava a bandeira da biblioteca pública. Ele sabia muito bem de onde vinha aquele livrinho surrado, carregado debaixo do braço, e muitas vezes manchado da cerveja servida nos botecos.

Alô! Alô! viúvas do Sérgio. Não levantem a bandeira errada porque senão ele vem puxar seus pés na madrugada. E estão todos convidados para a apresentação do pré-Festival de Música que vai acontecer na Biblioteca no dia 1º julho, a partir das 19h. Entendeu?

2 comentários:

pedrofaber disse...

Fico feliz que a Biblioteca possa ganhar um prédio própio, mas ao mesmo tempo vem uma tristeza em saber que ela sairá aqui do ladinho de casa. É e creio que será a vizinha mais culta que conheço.

Solange Ferreira da Rocha disse...

A biblioteca pública deve ser valorizada de todas as formas possíveis, como espaço de leitura e pesquisa e equipamento cultural.É muito importante que se propaguem novas iniciativas de reconhecimento deste espaço,e uma sede própria é uma grande necessidade, que deve ser atendida o mais rápido possível.