18 de jul de 2011

Felicidade sem fim: Dominguinhos brilha na abertura do XI Festival de Música

O show de Dominguinhos na abertura do Festival de Música no domingo transformou o Centro de Convivência em um enorme salão, onde as pessoas cantaram e dançaram ao som do forró, do xote e do baião. Foto: Renato Seixas.
Dia 17 de julho de 2011. Temperatura de 27o e lua cheia no céu. O tempo perfeito para a abertura do 11º Festival de Música de Ourinhos, mas a seleção brasileira havia acabado de dar vexame na Copa América, errando todos os pênaltis. Inevitável carregarmos a frustração diante desse inesperado. Quando Dominguinhos subiu ao palco, porém, só saíram acordes perfeitos, que mandaram a tristeza embora.

Foto: Renato Seixas.
O show homenageou Luiz Gonzaga, com um repertório de baião, forró pé-de-serra, xote e a companhia de um convidado especial, o guitarrista e violonista Heraldo Do Monte, pernambucano e um dos principais nomes da música nacional, considerado por Joe Paz o melhor guitarrista do mundo. Heraldo somou-se aos músicos acompanhantes de Dominguinhos, todos exímios instrumentistas. Entre esses músicos, veteranos e jovens, juntando experiência e talento em torno do mestre da sanfona.

Dominguinhos foi modesto sem falsa modéstia. Se precisava dos técnicos mais som para a sanfona, pedia gentilmente. E comentava muito tranqüilo que uma nota de sua sanfona era teimosa e para tocá-la era preciso saber. A sabedoria que transpira dele já havia se mostrado na visita que fez pouco antes do show começar à exposição “Casa de Exu”, no Teatro Municipal Miguel Cury. Dominguinhos olhou as fotos da vida de Gonzagão e foi comentando uma a uma a respeito das pessoas que conheceu. Depois de olhar tudo, disse para a secretária de cultura Neusa Fleury, com voz pausada e pensada, que era muito importante a divulgação da história e da obra de Luiz Gonzaga fora do Nordeste, pois se trata de conhecermos o Brasil.

Enfim, o show transcorria e o público se sentia como se tivesse no quintal da casa do sanfoneiro. Jovens e idosos dançavam colados as músicas mais lentas e “mexiam as cadeiras” quando o ritmo era “arretado”. A praça do Centro de Convivência assumia aquele ar que sonhamos para a todas as praças, a de serem tomadas de gente, de cultura e de música. No comando, uma voz lenta, sonolenta, melodiosa: “Acho que vou mergulhar, na felicidade sem fim...”

Que beleza...

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