27 de jul de 2010

Festival de Música de Ourinhos – Grande encontro da Música Brasileira

Um evento consistente. Assim podemos definir o Festival de Música de Ourinhos hoje. Completar 10 anos conferiu ao festival uma personalidade madura, um espaço respeitado por nomes que delineiam o sentido da música brasileira contemporânea. Mais que isso, pesquisam e trazem à tona nosso patrimônio musical.
Foram oito dias em que músicos de todo o país e professores mundialmente reconhecidos estiveram juntos, e para estudar. Sim, o estudo da linguagem musical é, desde a primeira edição do festival, o foco mais importante. Para a cidade, a rica programação artística oferecida durante a semana e as canjas que não deixam o centro da cidade dormir, são as principais atividades do Festival. Mas para quem viaja 500, 800 alguns até 1.000 quilômetros para ter uma semana de aulas com um “Marcus Tardelli”, um “Flávio Varani” ou um “Laércio de Freitas”, sabe muito bem da rara oportunidade que Ourinhos oferece.
2010 foi o ano do reconhecimento do “santo de casa”, que começa a fazer milagres após uma década. Há muitos anos como referência nacional, o Festival de Música sentiu mais forte a aproximação da comunidade ourinhense, que tem participado mais, seja em atividades escolares com o músico homenageado, decorando as vitrines de suas lojas, recebendo o pré Festival no mês de junho, ou em cursos de música específicos para professores, e até mesmo como um público mais crítico e exigente. Público este que foi muito elogiado pelos músicos, pelo respeito e interesse com que acompanhou a programação.
O Festival foi para os bairros, levou apresentações para as igrejas, para a praça Mello Peixoto e para a Biblioteca, ampliando o acesso da comunidade e formando novas platéias. Os meios de comunicação mostraram-se mais sensíveis e perceberam a importância cultural do evento. Podemos dizer que o Festival de Música de Ourinhos é eclético sim, sem cair no pieguismo da absorção desenfreada de estilos. O festival soube unir durante todos estes anos as mais variadas expressões musicais, sempre zelando pela qualidade e valor artístico. É eclético também quando vemos crianças e adultos disputando espaço para assistir aos mesmos shows, ou ainda quando cruzamos com o sambista improvisando com o guitarrista de jazz.
O Teatro Municipal Miguel Cury ficou pequeno para a quantidade de pessoas interessadas em acompanhar as apresentações artísticas. Por lá passaram nomes como Fabiana Cozza, Flávio Varani, e Toninho Carrasqueira com o espetáculo Contos Tradicionais do Brasil. Destaque também para o show Noel, Vadico e o Choro, com Maurício Carrilho, Proveta, Bolão, Toninho Carasqueira e Paulo Aragão. A apresentação da Jazz Combo do Conservatório de Tatuí, com participação especial de Laércio de Freitas, também foi um dos grandes momentos desta décima edição do evento.
Não podemos esquecer também da noite de abertura com a Orquestra de Metais Lyra Tatuí, na praça Mello Peixoto, que pelo trabalho simples e honesto feito com crianças, impressionou e deu um toque de alegria e determinação à programação artística.
Assim que terminou o evento, muitos já sentiam saudade. É o caso do maestro Benito Juarez, que compartilhou suas emoções e disse: “Já sinto a nostalgia das melodias de Noel "chorando" contrapontos entre tantos outros, com Pixiguinha, Bach, Guerra Peixe, Bizet, Caymmi, Chopin. Saudade do Rock, Samba, Frevo, de todo som que rolou nas canjas, da imbatível alquimia onírica das noites maravilhosas. Daí o nível de excelência dos professores, músicos e cantores, dos alunos vindo de todos os lugares, da sensualidade exuberante do céu da cidade, do sentimento eclético verdadeiro que agrega todos e nos acolhe no Festival, da fantástica expressão de incomensurável beleza poética, que guardarei para sempre no meu coração”. O maestro foi capaz de traduzir o sentimento de todos os envolvidos na construção do Festival de Música de Ourinhos, que assim como ele, sentem saudades antecipadas deste grande encontro da música brasileira.

Texto: Tatiana Oliveira.
Foto: Renato Seixas.

Um comentário:

Eder Godoi disse...

Ourinhos da um Show, na organização, na contratação dos profissionais que ministram os cursos, na programação cultural e na acolhida.
Trabalho com Coros e me sinto renovado após o Festival, gostaria muito de solicitar que os profissionais que vieram esse ano, principalmente Thelma Chan, Lucy Shimit e Uéslei Banus voltassem no ano que vem. Não é que eles sejam bons, eles são além do imaginado e como se não bastasse, além da competência musical profissional são pessoas maravilhosas.
Parabéns Ourinhos e mais uma vez, muito, mas muito obrigado mesmo.
Eder Godoi - Assis-SP