21 de jul de 2011

Mundo da música: Caravana vai levar experiência musical para a baixada santista

A importância do Festival está viva em quem participa dele. Por isso é curioso capturarmos as histórias de quem vem para Ourinhos viver e aprender um pouco mais de música nesse curto e intenso período de tempo, como é o caso de 27 pessoas vindas de São Vicente, na Baixada Santista. É uma caravana de crianças e jovens, mais os educadores do Projeto CER – Centro Educacional e Recreativo, mantido com recursos do Fundo Social de Solidariedade daquele município. Entrevistamos a Educadora Cláudia Marques Rosa, Coordenadora Pedagógica do Projeto, que contou a história dessa caravana de alunos.
Cláudia, conte como essa caravana toda veio parar em Ourinhos...

Meu marido é daqui. Tem família aqui. Ele comentou do Festival e em minhas férias de julho do ano passado falei: “- Vou conhecer esse Festival!” Fiquei encantada com a qualidade musical das pessoas que participam. Depois falei assim: “- Tenho que levar o pessoal para lá”. Como no nosso projeto todo mundo é muito carente, entrei em contato com a Neusa e ela conseguiu 10 vagas gratuitas para os alunos. Os monitores economizaram dinheiro e se esforçaram para vir também. Conseguimos ônibus e alimentação da prefeitura de São Vicente. Enfim, viemos num grupo de 27 pessoas. Alguns dos professores já haviam ouvido falar do Festival, mas nunca tivemos condições de vir antes. Quando falamos que poderiam vir para cá, todos ficaram exultantes, contando as horas. Estão amando...

E quem são essas 27 pessoas?

Estamos em um grupo de 15 professores e 10 alunos de 12 a 17 anos. Nosso projeto atende desde 6 anos de idade. O Projeto CER funciona no contraturno escolar. Começou atendendo em seis unidades e hoje já atende em 21 unidades espalhadas na cidade de São Vicente, nos bairros mais carentes. Duas unidades atendem pessoas especiais. O CER, além de música, trabalha com teatro, artesanato, dança, capoeira. Toda essa parte cultural...

Do que o pessoal está participando, no Festival?

Estão participando de oficinas variadas. Violino, flauta universal, contrabaixo, contrabaixo elétrico, composição e prática de arranjo. Enfim, estão espalhados pelas oficinas e shows culturais. Os professores vão nas canjas de samba e choro também.

Como você está sentindo a recepção deles em relação ao Festival?

É interessante. Os alunos e até os professores, também, chegaram pensando que iam abafar. Mas quando viram a qualidade dos profissionais, o nível deles, ficaram assustados, tipo: “- Gente, eles sabem muito e nós não sabemos nada.” Tivemos que falar que ser músico não é só subir no palco e tocar, tem que ter todo um estudo e uma dedicação muito grande. Aí eles ficaram calmos e hoje no café da manhã conversando eles diziam: “- Professora, eles estão conversando com a gente, apesar de não sabermos muito, estão nos dando atenção.” Estão aprendendo muito e curtindo muito isso.

Você acha que isso vai ser forte na vida deles?

Muito! Lá a gente tem vários ensaios. No ano passado, quando vim para cá, acabei conhecendo o Orestes de Freitas e como em novembro tivemos o lançamento da Orquestra Didática do CER, com uma argüição, perguntei se haveria a possibilidade de ele ir. Foram ele e a esposa e ele ficou maravilhado com a história de vida dos alunos e por estarem lá, com a qualidade da Orquestra Didática. Então, ele apadrinhou a gente. Foi um contato que tivemos no Festival. Então, temos a Orquestra Didática, um grupo de música popular, um grupo de rock e um grupo de chorinho que faz sucesso na baixada e se apresentam três vezes por semana em diversos eventos. Todo esse conhecimento, não só musical, mas do trabalho do músico em geral vai ser muito importante eles levarem para lá, para os outros que não puderam vir.

Você que é apreciadora de música e educadora, que balanço faz do Festival?

Volto a salientar a qualidade absurda daqui e dos músicos que vêm para cá. Já estive no Festival de Campos do Jordão e o daqui não deixa nada a desejar. Em alguns pontos é até melhor.

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